[367.12 - Pons Aelius] Lothbrok [Dead man walking]

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Re: [367.12 - Pons Aelius] Lothbrok [Dead man walking]

Post  EnderBR on Sat Sep 14, 2013 7:12 pm

NRPG:

A não ser que seja especificado as cartas nessa época são escritas em pequenos tabletes de madeira, do tamanho de um cartão A5 ou A6 mais ou menos. Alguns documentos oficiais são gravados em placas de bronze (os certificados de aposentadoria das legiões, por exemplo) ou em papiro. Papel é uma invenção medieval (exceto se você for oriental... aí você tem o direito de ter itens estranhos). O mais próximo que você consegue de papel é papiro, que também vem do oriente (não é produzido localmente) e geralmente é utilizado pela igreja cristã. Eventualmnte ordens oficiais são dadas em papiro e se usa selos de cera, com a identificação pessoal.

RPG:

Alex wrote:-Ave! Sou Maximilianus, amigo, e estou aqui para me apresentar ao dux Fulofaudes. Me disseram que ele se encontra nesse forte. Estou em negócios oficiais -[Lothbrok, então, mostra sua carta fechada para o guarda - como pode ver. Se puder me dirigir ao dux...
Moried lança um olhar estupefato para Morien. - Claro, onde cabem 10...

- Lothbrok tenta entender a frase críptica quando os três são interrompidos pela bela música de uma lira e se viram para ver um homem muito bonito, sob a luz da lua, subindo o caminho em direção ao forte.

NRPG:

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Re: [367.12 - Pons Aelius] Lothbrok [Dead man walking]

Post  Alex on Thu Jul 25, 2013 1:59 am

-Ave! Sou Maximilianus, amigo, e estou aqui para me apresentar ao dux Fulofaudes. Me disseram que ele se encontra nesse forte. Estou em negócios oficiais-[Lothbrok, então, mostra sua carta fechada para o guarda (NRPG:Estou imaginando que ela tem um selo oficial ou algo do tipo)]-como pode ver. Se puder me dirigir ao dux...

NRPG: Caso a carta de serviço (não a de recomendação) não tiver um selo, e não houver problemas em mostrar a carta para o guarda, Lothbrok vai mostrar ela aberta mesmo, já que ele é um friendly guy.

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[367.12 - Pons Aelius] Lothbrok [Dead man walking]

Post  EnderBR on Sun Jul 21, 2013 1:27 am

RPG:
- Mundu líka adh thu munt deyja...

Sussurrando essas palavras Maximilianus enterrava Lothbrok Thorguildson, na necrópole da recém rebatizada Paris, antiga Lutetia Parisii. Lothbrok, filho de Emerlinde fora executado para expiar a desonra da Terceira Legião Italica, sete vezes fiel e piedosa, que abandonara seu posto e fugira frente ao inimigo, deixando cair o secular forte de Castra Regina. Lothbrok fora vítima da tortuosa Fortuna, diriam os antigos romanos.

- Sit tibi terra levis! - responde-lhe em latim, com a mão em seu ombro e marcante empatia, Dagalaifus, magister peditum et equitum, o germânico comandante de todas as legiões no ocidente.

Valentinianus tivera um de seus repreensíveis surtos de ira quando recebeu a notícia da queda de Castra Regina. Era um dos fortes mais antigos e importantes na fronteira germânica e o marco do império dentro da Germania Magna, na fronteira do Danúbio. Esbravejando o imperador gritou que a legião deveria ser dizimada por covardia. Nunca fora a intenção do imperador que a arcaica punição fosse de fato aplicada, mas um de seus cortesãos, um ascendente militar chamado Theodosius convence Dagalaifus, de que esta era a vontade do imperador. Theodosius estudara Valentinianus e sabia que o homem abominaria o ato no fim das contas e isso colocaria o emprego de Dagalaifus em risco, pronto para ser arrebatado por suas mãos mais capazes. Dagalaifus por sua vez sabia que ficaria desmoralizado se não punisse de alguma maneira a guarnição do forte, mas também sabia que o império não estava em condições de perder nenhum homem leal desnecessariamente e que os homens de Castra Regina enfrentaram um desafio intransponível.

Dagalaifus sabia isso pois conhecia Macrian, rei da tribo dos Bucinobantes e atual alto-rei dos Alamanni e sabia também que sua assinatura dos tratados após a batalha de Mogontiacum há 6 anos atrás tinha sido apenas uma maneira de comprar tempo e resgatar prisioneiros de guerra. Sabia que Macrian costurava uma aliança como jamais havia se visto, de Bucinobantes, Suevos, Quados, Marconamos, Vândalos e demais tribos germânicas com a intenção de se aproveitar da turbulência do império para saquear as fronteiras.

A solução do magister peditum para o dilema era elegante: o jovem responsável pela guarda na data do ataque, o burgúndio de nome Lothbrok, se lançaria sobre seu gládio, para salvar a honra da tropa e evitar a desgraçosa punição. É claro que Lothbrok não era de fato responsável pela guarda, ele nem mesmo estivera presente no ataque, estando de licença para visitar sua mãe. Além disso ninguém se suicidaria, sendo todos os soldados capazes e úteis e o comandante de fato tendo já morrido na fuga, sua cabeça adornando os portões do forte no momento. Isso seria possível pois Lothbrok, filho de Emerlinde era também Maximilianus, filho de Heracles, que tinha sido registrado duas vezes nas legiões, com suas duas identidades diferentes. Matar uma era quase como resolver um problema legal para ele.

Lothbrok no início relutou com a idéia. Ele estava viajando quando ocorreu o ataque. Só aceitara descartar seu nome pois estava devastado com o que descobriu em sua viagem. A vila onde se criara com seu tio e seus primos não existia mais e em seu lugar havia apenas devastação e sinais de luta. "Foram os hunos" disseram-lhe quando ele questionou na fazenda habitada mais próxima. "Só escapamos pois não tínhamos valor, mas levaram toda a colheita, agora com o inverno estamos arruinados, estamos nos mudando para o oeste, buscar melhores paragens, longe destes selvagens.". Devastado, o burgúndio retornara para sua única casa remanescente, Castra Regina. Ao retornar, entretanto, percebera de longe que algo estava errado. Ao invés dos tradicionais estandartes romanos, o caminho para o forte estava pisoteado nos arredores e ele podia ver sangue manchando a grama em diversos lugares. Cauteloso, sem ser visto, ele percebe que o forte fora tomado e segue para Augusta, centro urbano mais próximo, para onde os sobreviventes provavelmente haviam se dirigido, supondo que houvesse algum.

Em Augusta Vindelicorum Lothbrok encontrou os restos assustados da guarnição de Castra Regina, os homens aguardavam Dagalaifus que, sabiam eles, estava a caminho desde que a notícia da queda do forte se espalhara. A partir daí o resto foi um borrão para o burgúndio, exausto pelos dias de caminhada e pela perda de toda a sua família ele tinha morrido em espírito e só recuperara sua clareza em Paris, após enterrar seu passado em um enterro falso. Não recuperara a alegria, essa provavelmente jamais retornaria, mas ao menos recuperara um senso de propósito. Seu amigo Dagalaifus lhe impulsionara a buscar seus meio-irmãos de sangue, na distante Britannia para clamar o que era seu direito: parte do legado de Heracles.

Após uma curta viagem cruzando o canal da mancha, em um dos navios que levavam suprimento para os fortes da assim chamada "Costa Saxã", Maximilianus desembarca em Branodunum e de lá toma uma carroça para Lindum Colonia, onde encontraria-se com seu irmão mais velho, também chamado Heracles e agora pater familias. Os irmãos não se viam há 6 anos, desde que Maximilianus abandonara este nome e se realistara como foederati burgúndio. Na época em que seu pai havia tentado ambientá-lo à vida romana Maximilianus havia servido como secretário de seu irmão mais velho, na época tribuno do vexilatio da Lec. Secunda que cuidava de policiar a cidade. O trabalho era tedioso e ele se sentia ridículo, menos homem do que seu primo que caçava, saqueava e guerreava com liberdade.

No frio do inverno de dezembro ele é recebido em uma insula (casa romana no segundo andar de uma loja) de decoração frugal por Heracles. O irmão era muito diferente de Maximilianus, mais velho por uns 15 anos ao menos, mais baixo (mas ainda alto entre os bretões) e moreno, a perna esquerda decepada logo abaixo do joelho e substituída por uma prótese de madeira escura. Após uma formal saudação os irmãos conversaram longamente ao lado de um fogo tímido e Maximilianus aprende que a família fora vitimada pela inimizade do seu pai.

Heracles fora chamado à Britannia por seu amigo o vicarius Flavius Martinus para auditar (e tentar expulsar) o antigo inquisidor real Paulus Catena. Meses depois, poucos dias antes do suicídio do próprio Martinus, o pai morrera em um acidente suspeito junto com dois dos irmãos: a estalagem onde estavam em Londinum explodira em chamas violentamente no meio da noite sem explicação natural. Na mesma noite, arruaceiros em uma taverna de Lindum haviam mostrado-se estranhamente preparados para um conflito com a força policial e uma lâmina envenenada que deveria ter encontrado o torso de Heracles, o filho, acabou acertando-lhe e roubando-lhe a perna esquerda.

Maximilianus ficou consternado e tocado com as notícias. Sabia que seu pai havia falecido, mas desconhecia a situação - fizera questão de não se informar na época. Sua numerosa família romana havia reduzido-se ao seu irmão primogênito - coxo e amargurado, e Quartus, o caçula dos romanos, apenas 2 anos mais velho que ele próprio. Maximilianus lembrava de ter uma ponta de inveja de Quartus quando conheceu-o há tantos anos. A lembrança que ele tinha era de um rapaz energético e extremamente carismático, tendo herdado o dom da família para a "conversa mole" e na época, enquanto Maximilianus fora amarrado a uma mesa para burocratizar, Quartus já servia às legiões na muralha.

Finalmente, com o cair da noite, Maximilianus se vê obrigado a discutir o seu futuro. Enquanto conta sua história sobre copos de vinho ralo, Heracles aguça os olhos, como quem tenta enxergar através da neblina ou no cair da noite.

- Quer dizer que você foi transferido para o meu "comando"? - pergunta retoricamente o romano. - Infelizmente não existe mais tal coisa. Não sou mais um comandante na secunda, sou apenas mais um aposentado em Lindum Colonia. Mas acho que posso lhe ajudar afinal. Não irei lhe oferecer para dividir minha pensão, hahaha... esta mal dá para manter minha dignidade. Escreverei uma carta de recomendação ao dux. Vê, ele era um grande amigo de nosso pai, com o ódio de Catena e tudo o mais, e tenho certeza que lhe ajudará. A melhor parte é que você provavelmente servirá ao lado de Quartus. - O irmão mais novo servia como guarda-costas pessoal de Fullofaudes, dux Britanniarum e Heracles sabia que este partira há alguns dias de Eboracum para inspecionar o estado da muralha no inverno e garantir que estava bem guarnecida para a temporada de tentativas de saque na primavera.

Com a carta de recomendação em sua sacola, Lothbrok parte na manhã seguinte, com uma leve ressaca de vinho ruim, em direção ao norte. Passa por Eboracum e é informado pelos vigias da cidade que o dux já seguira para o norte, para Pons Aelius. Pernoitando em Eboracum o burgúndio se impressiona com o nível de fortificação do local. As torres multangulares são diferentes de qualquer coisa que ele já tivesse visto e o fazem se perguntar o quão terríveis eram esses pictos que assolavam o norte da ilha para merecer muralhas inexpugnáveis. Três dias de viagem à cavalo depois, já sem a luz do dia, o romano-burgúndio cruza o Tyn na bela ponte, admirando os altares de pedra a deuses já quase esquecidos no vão central. Subindo o caminho tortuoso até o forte, finalmente se vê diante dos sentinelas no portão.

- Ave! Identifique-se.

NRPG:

Então, demorou um pouquinho né? Mas tá aí...


"There's a pale horse coming
And I'm gonna ride him
I'll rise in the morning
My fate decided
I'm a dead man walking"
(Dead Man Walking - Bruce Springsteen)
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