Pons Aelius - A Ponte de Hadrianus

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Pons Aelius - A Ponte de Hadrianus

Post  EnderBR on Mon Jun 18, 2012 4:11 pm

Todos os personagens no jogo começam na cidade de Pons Aelius, um forte na muralha de Hadrianus, no extremo norte do império. Esta pequena série de posts conta a história da guarnição, bem como os eventos políticos mais recentes que repercutiram na vida do "forte no fim do mundo".
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Pons Aelius - A Origem

Post  EnderBR on Tue Jun 19, 2012 10:55 am

Quando o imperador Hadrianus visitou a Britannia em 122 DC e foi percebida a necessidade de um muro de fronteira contínuo e permanente para assegurar os interesses romanos na ilha. Foi determinado que o ponto final oriental do muro seria marcado por um forte no primeiro ponto cruzável do rio Tyne e uma nova ponte foi construída lá, pela VI legião, com uma estrada até o forte de Concangis, ao sul, chamada de Pons Aelius, pelo nome de família do imperador. O título, eventualmente, passou para o forte e para a cidadela que se formaria em sua volta. Antes mesmo que o muro chegasse à sua conclusão para o oeste, entretanto, foi decidido extender o muro até à costa ao leste e o forte de Segedunum foi construído em seu final, na margem norte da foz do Tyne.

Ao longo dos anos o forte foi guarnecido pela própria Lec. VI Victrix, e por reforços da Lec. II Augusta e da Lec. XX Valeria Victrix. Durante muitos anos, depois disso, o forte foi a casa da Coh. I Cugernorum - uma tropa muito tradiconal que fora levantada pelo imperador Trajano na germania, e que voltava do muro antonino, ao norte, que fora abandonado.

Passou por Pons Aelius, em 117 DC o corpo principal da Lec. IX Hispana, para um abastecimento final antes de desaparecer no norte gelado em sua campanha de retomar os fortes setentrionais. Como a IX nunca voltou, seus destacamentos restantes foram reforçados e, sob um novo comando, designados para juntar-se às tropas imperiais no oriente distante, onde sofreu suas derrotas finais. Istou selou, inclusive, a fama da IX de legião amaldiçoada na Britannia pois meio século antes havia sido quase que inteiramente destruída na revolta de Boudicca.

No final do século II, as legiões britânicas se rebelariam contra o governo de Commodus e Pons Aelius se juntou à revolta que foi debelada por Pertinax, que seria o próximo imperador. Poucos anos depois, Septimus Severus reorganizaria a defesa da muralha, espalhando representações da Lec. VI ao longo da linha, avançando inclusive a fronteira Caledonia a dentro, para o norte. Esta permaneceu sua configuração, enfraquecendo-se em qualidade e número, através da crise do terceiro século e da lenta reestruturação do império, até a revolta recente de Magnentius.


Last edited by EnderBR on Tue Jun 19, 2012 11:04 am; edited 3 times in total
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Pons Aelius - Impactos da dinastia Constantina

Post  EnderBR on Tue Jun 19, 2012 10:56 am

Constantino, o Cristão (convertido no leito de morte), deixara o império dividido entre seus três filhos e irmão: Constantino II com as províncias mais ocidentais, Constans com a Itália e a África, Constantius II com os territórios mais orientais e Dalmatius com a Trácia. Dalmatius foi o primeiro a morrer, dando ignição às agressões entre os irmãos na divisão de suas terras. Depois de se livrar de todos os demais parentes homens que poderiam pedir um trono, os irmãos degladiaram-se e enfim Constans derrota seu irmão mais velho Constantino e se torna absoluto no ocidente enquanto seu irmão Constantius II luta no oriente.

Em 341 o norte da Britannia fora assolado por um exército massificado de invasores bárbaros nativos. Pons Aelius resistia bravamente, junto com os outros fortes da muralha, mas o ataque se prolongava e os fortes ao norte já haviam caído e as vilas saqueadas. Neste mesmo ano, para estupefação generalizada, o imperador Constans, que encontrava-se em "guerra religiosa" com seu irmão na questão do Arianismo, decreta a proibição dos sacrifícios pagãos, o que torna a convivência das fés, que sempre fora pacífica na Britannia, problemática. Com ataques que se intensificavam há mais de um ano, Pons Aelius passava o inverno do fim de 342 com fome e desconfiança interna de metade dos seus habitantes que tiveram sua religião ilegalizada.

No natal de 342, em meio a uma nevasca, um emissário imperial traz a notícia de que o próprio Augusto Constans viria ao socorro das guarnições do muro, cruzando o estreito do mar da Britannia em pleno inverno. O efeito da notícia redobra as forças da guarnição da VI em Pons Aelius. Ao fim de janeiro chega o imperador com suas tropas palatinas e, de fato, aniquilam os bárbaros desorganizados e, despreparados para um cerco tão prolongado, doentes e famintos. Constans tinha tudo para ser um herói em Pons Aelius, no entanto sua reputação ficou marcada exatamente pelo contrário. Auxiliado em grande parte por boatos exagerados da população pagã que o odiava, Constans ficou marcado como afetado e cruel, punindo aleatoriamente a população por deslizes imaginados, práticas religiosas proibidas e traição à Roma.

Em 350 DC, 17 anos antes do início desta história, a insatisfação com o imperador Constans, crescera a tal ponto entre as legiões que a guarda imperial elevou o comandante Flavius Magnentius a Augusto e Constans, que estava em guerra com seu irmão Constantius, foi forçado a fugir e esconder-se sozinho com alguns poucos servos e guarda-costas mais leais. Assassinado quando buscava asilo em um templo que, para seu azar, era pagão. Magnentius foi aclamado na Britannia e, em particular, em Pons Aelius, por ser exatamente o contrário de Constans. Religiosamente tolerante, tanto os pagãos quanto os cristãos não arianos comemoravam sua ascenção. Magnentius conclama as legiões ocidentais à seguí-lo em uma marcha ao Oriente, contra o general Vetranio que erguia exércitos apoiado pela família "real", chegando a ser proclamado Augusto por Constantius II. As legiões britânicas (VI, II e XX) seguem Magnentius deixando para trás apenas uma estrutura esquelética de defesa.

Em 351 Constantius abandona sua luta contra os persas para juntar-se a Vetranio, que abdica em seu favor e combater o ursupador Magnentius pela supremacia do império. Os exércitos legalistas e ursupadores finalmente se encontram na batalha de Mursa Major, que seria para sempre conhecida como a batalha mais sangrenta de toda a história do Império Romano, com um total de aproximadamente 50.000 baixas (2/3 do exército de Magnentius e metade do de Constantius). Magnentius ainda faria uma última defesa, no sul da Galia em 353, mas Constantius termina vitorioso e absoluto e suas políticas cristãs (sua fé preferida era a Nicéia) voltam a imperar. Seu reinado é turbulento e Pons Aelius, na fronteira, tenta reconstruir seus números com voluntários locais, sem contar com muita boa vontade dos Cimri pagãos.

A sucessão de Constantius impactou fortemente a vida em Pons Aelius. Durante suas guerras com Magnentius, Constantius declarara seu primo Gallus como Cesar para ajudá-lo a administrar o império, mas executa-o três anos depois colocando Julianus, irmão de Gallus e último membro da dinastia em seu lugar. Julianos, que perdera a família no massacre da dinastia conduzido por Constantino II e forçado durante a infância a ter uma educação cristã ariana, convertera-se em um fervoroso pagão neoplatônico na vida adulta, estudando filosofia e teurgia e desejando a volta da glória perdida do império. Em 355 este se levanta em revolta contra Constantius II, mas este morre antes que o confronto possa ocorrer, deixando Julianus, conhecido agora como o Apóstata, como o último imperador não cristão.
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Pons Aelius - O Apóstata e o Último Grande Imperador do Oeste

Post  EnderBR on Mon Jul 02, 2012 1:19 am

Para Pons Aelius o governo de Julianus foi quase uma continuidade do de Magnentius. Poucos foram os sobreviventes de Mursa Major que voltaram e, desde então, a muralha ficou praticamente desguarnecida. As notícias que chegavam eram primeiro de que Constantius era absoluto e que Julianus era apenas um representante militar sem poderes na Gallia. Ao mesmo tempo em que ele mantinha os governadores civis em cheque estes, que eram leais a Constantius, lhe impediam de exercer qualquer poder absolutista.

Durante seu governo, Julianus se esforçou para reinstaurar Roma como responsável pelo bem estar do povo, institucionalizando a caridade e o apoio à todas as fés e reinstaurando o paganismo romano como culto do estado. Suas medidas efetivamente tinham como projeto dificultar o acesso do Cristianismo à nobreza e administração romanas. No campo militar foi um general extremamente competente, subjugando as tribos germânicas e francas além do Reno e adotando diversas medidas administrativas para garantir o bem estar de suas tropas, em maioria elas mesmo germânicas e pagãs.

Julianus faleceu em 363, durante a retirada das tropas da Mesopotamia, na guerra contra os Sassanidas. Em seu lugar o exército elegeu Jovianus (conta a história que muitos soldados votaram verbalmente em Jovianus acreditando estarem votando em Julianus que teria se recuperado da doença). As notícias que chegavam a Pons Aelius eram inquietantes. Num curto período de 8 meses de governo, Jovianus desfizera todas as mudanças tolerantes de Julianus, reinstaurando o cristianismo como fé oficial e, diziam, até mesmo punindo com a morte o culto privado dos deuses antigos. Além disso, para garantir a retirada das tropas do território Sassanida, Jovianus negociara uma paz humilhante com o rei Shapur, cedendo províncias e castelos conquistados há quase um século e cedendo a relação de clientelismo do reino cristão da Armênia. Foi com alívio que se recebeu a notícia de sua morte, sem explicação aparente e muito suspeita, em sua tenda de exército.

Da assembléia que se reuniu em 364, em Nicéia, para escolher o próximo imperador, nenhum dos nomes que surgiram foi aceito. Decidiram então elevar alguém que era capaz e estava próximo. Este comandante de scutarii (tropa de infantaria de elite), escolhido quase por acaso, acabaria sendo conhecido como o último grande imperador do oeste. Valentinianus e seu irmão mais novo Valens são filhos de Gratianus, que fora Commes Britanniarum (comandante das tropas da Britannia) durante o governo de Constans e muito prestigiado até cair das graças do governo e se aposentar no campo por suposta associação com Magnentius. Valentinianus em si continuou no serviço com bastante sucesso até que, tribuno de Julianus na época, serviu de bode expiatório para Constantius e teve sua carreira militar arruinada. Retirou-se para as terras da família na Pannonia, reza a lenda, após recusar-se a participar de sacrifícios para Mithras com Julianus.
Quando foi convidado a tomar o púrpura, mostrou-se espantosamente pronto e energético, imediatamente colocando seu irmão como co-imperador no leste para apaziguar a burocracia que temia ficar abandonada por um imperador militar.

No ano seguinte, 365, os Alamani sentindo a ausência do império cruzaram o reno e atacaram a Gália. Ao mesmo tempo, o último descendente de Constantinus - Procopius - levanta-se contra Valens no leste. Ao longo dos anos seguintes o imperador arquiteta a defesa da Gallia com maestria enquanto seus comandantes cuidam da ameaça de Procopius.

Em 367 o forte continua guardado por um pequeno contingente de 20 soldados da VI Lec, sediada em Eboracum. Os 20 mal são suficiente para manter o forte funcionando e a cidade em torno do forte parece ecoar o abandono. Sem fortes e vilas além do muro há mais de 20 anos, a cidade deixara de ser um entreposto e agora era um ponto final... e sem grandes atrativos. As florestas no entorno ainda guardam pequenas vilas de celtas quase selvagens que vêm a cidade trocar regularmente e isso dá o pouco de vitalidade que ainda resta em pons Aelius.
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Pons Aelius - Referências

Post  EnderBR on Tue Jul 03, 2012 2:10 am

Vista do portão do forte de Arbeia, último do Muro:


Forte de Vircovicium, ficava bem no meio do muro e era pouco usual porque sua parede norte compunha o muro. Em geral os fortes se projetavam para além da muralha:

https://maps.google.com/maps?q=55.013261,-2.330379&ll=55.01327,-2.33041&spn=0.001953,0.004823&num=1&t=h&z=18

Um forte típico de cavalaria, veja que ele atravessa o muro:


Esquema da muralha, com forte de milha (fortes menores, entre os fortes principais):


Reconstrução atual de segmento do muro como era originalmente:


Plano do forte de Condercum (vizinho de Pons Aelius):



Last edited by EnderBR on Sat Jul 14, 2012 1:47 am; edited 1 time in total
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Pons Aelius - Castrum e Vicus

Post  EnderBR on Sat Jul 14, 2012 1:47 am

Pons Aelius, conforme foi dito, é o segundo forte de Leste para Oeste na muralha de Hadrianus. Foi construído seguindo o desenho padrão de forte romano, que reflete por sua vez um desenho clássico de forte mais antigo que a história: muros quadrados, com duas vias principais cortando perpendicularmente. A sua localização é duplamente estratégica pois, além de guardar a ponte na praia do rio Tyn (que significa rio no dialeto celta antigo local...), está em um promontório, tendo apenas o lado oeste com campos abertos. A posição escolhida para maximizar a defesa sacrificou a ofensividade da maior parte dos fortes da muralha - Pons Aelius ficava toda "atrás" do muro de Hadrianus, como o forte de Vircovidium.

Desenhado para abrigar uma Cohors de 500 legionários, o forte encontra-se quase abandonado, com uma ínfima guarnição de 20 homens, comandados pelo recém elevado a praefectus Publius Cotta. Para ser adequadamente protegido precisaria de ao menos 40 homens bem treinados. O forte conta com duas ballistae que, honestamente, não se sabe ao certo se ainda estão funcionando pois não há nenhum libritor (artilheiro) para operá-las.


Pons Aelius (representação artística)

Publius Cotta é um legionário à moda antiga, daqueles que nasceu para ser decanus (sargento que cuida de uma turma de 10 a 8 homens, uma tenda) para o resto da vida. Já tendo cumprido seus 25 anos na legião, esperava sua placa de bronze (ordem de despensa) quando estourou a revolta de Magnentius. O legatus da Lec. VI então o promoveu rapidamente a Praefectus Castrorum (comandante do forte) de Pons Aelius antes de partir com o corpo principal da legião. Publius não se acha particularmente apropriado para o cargo, mas seus soldados são poucos e para desespero destes ele ainda é capaz de manter a disciplina deles. Sua forma física já não é mais a mesma...
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Re: Pons Aelius - A Ponte de Hadrianus

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